Refletindo e iluminando palavras e sentimentos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Guinza flor

Saudades do sake
E da proximidade do mar
Da intimidade das mãos
Do verso dito inteiro.


Dessa palha que arrudeia
Imola as xananas
Ikebanas silênciosas
Profanas.


Da descoberta do tudo
Ao nada que prende aneis
Do desejo na língua
Com gosto oriental.


Nem sei se é saudade
Certeza é coisa frágil
Gelo na boca
Que derrete até metal.
®IatamyraRocha


Oração / Efêmero



quarta-feira, 25 de maio de 2011

Desalinho

Muitas horas
Telas, sons, cores
Olfato, visão, amores
E o relógio ali pra mim
Pisca, corre, olha
Avisa-me sem demora
Vira minha página em branco
E eu com sede
Lambo as gotas que caem
Todas têm gostos diferentes
Não encaixam
Não me sentem
Embaralham minhas cartas
Que não marcadas perdem o jogo
Cheiro na memória o cigarro
Que gostei naquele beijo
E no meio da fumaça
Viajo a tua casa
Toco no teu desejo
Deixo-me preencher
Prazer que flui na mente
Palavras indecentes
Sexo e rock and roll
Gosto amargo no corpo
Vazio
Trave sem gol
Escapo desse pensamento
Fujo para não morrer
Umedeço meu poema
Sinto de novo você
Sem cigarros ou vazios
Só minha inspiração torta
Fingindo-se de morta
Em total desalinho.
®IatamyraRocha
Greve e copa / Palavras ao Vento

domingo, 15 de maio de 2011

Natureza

Sou noite chuvosa
Liquida
Pingando estrelas
Se teu luar vem.

Recito teu corpo
Versejante
Perco-me no infinito
Sou céu e além.

Domino raios
Trovejo
Sossego cometas
Com beijos e amém.

Sou natureza
Pulsante
Gravidade constante
Sou todo teu harém.
®IatamyraRocha

Pulsação / Palavras ao vento 

Meus rios / Anauê 



 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Meus serenos

Cai o tempo em muitas bandeiras
Cores que entrelaçam em línguas
Pensamentos dispersos em nuvens
Fragmentos do mundo interior.


Minha língua se desdobra
No meu peito uma canção
Um toque no verso apenas
E desenho flores no chão.


Leio meus pedaços inteiros
Momentos repartidos
Gosto de chá das cinco
Bebo em goles de temperança.


Esqueço naufrágios
Olho o mar dentro de mim
Ondas me movem
Bailam-me aqui e ali.


No badalar da noite
Sinos, hinos, peregrinos
Capelas descobertas
Luares que me banham.


Versos pousam
Libélulas encrespadas
Recriam meu peito
Retiram muitas espadas.


Sinto o vento me chamar
Soprando na língua dos anjos
Ou são apenas meus serenos
Que querem me habitar.
®IatamyraRocha

Flores roxas / Efêmero 


terça-feira, 19 de abril de 2011

Versos puros/ Maktub

Uma nostalgia me invade os versos
Cheiro das manhãs em caldas
Docinhas e lindamente jovens
Sorrisos nos cantos e olhos timidos
Amor de caixinha de música.


Tempo que revivo hoje
Cantando as marcas e os beijos
A praça encoberta de mato
Os livros sempre escondendo os seios
O gosto roubado da tua língua.


Gestos e toques imaculados
Uma lagoa azul dentro do meu tempo
Impulsos e hormônios tecidos com as tarde
Descobertas despertas com gosto de inocência
Amor puro que brota da essência.


Tento ficar sem lágrimas
Sinto o ar puro de uma pureza passada
Lembranças hoje amarrotadas
Caminhos e vidas para sempre unidas
Dentro de olhares que nos esperam por porto.


Estava escrito nas estrelas
Todos os versos puros
Desenhados em nosso peito
Em um só ícone de amor
Que nenhuma tempestade apagou.


Naquele final de tarde
Em que te encontrei no altar
No brilho dos nossos olhos
Toda a verdade abençoada
E no curso das nossas águas
Nosso amor sempre a aflorar.
®IatamyraRocha


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Poesia insolente/Fechaduras

Alguém me diz,
De que é feito o verso?
Se de alma ou perfeição?
No meu universo
Só uso o coração.


Alguém me diz,
Se poesia tem raiz ?
A minha flutua insolente
De santa na cruz
A meretriz penitente!
®IatamyraRocha




Não devolvo
O brilho nos meus olhos, que você me deu
O gosto do teu beijo, que já me pertenceu
O cheiro do novo, que o tempo corroeu
Guardo tudo em minha gavetas
Sem fechaduras.
®IatamyraRocha

Textos escritos e publicados por mim Iatamyra Rocha na minha page no Facebook.





terça-feira, 5 de abril de 2011

Guardados

Fecho as cortinas
meu corpo santo
Minhas presilhas.


Minhas águas cálidas
Meu ventre
As palavras pálidas.


Tranco meu amor
Meu infinito
Guardo a dor.


Minha pele confusa
Meus passos ermos
A febre que pulsa.


O tempo de te ver
A cama perfumada
Meu gosto em você.

Fecho, guardo, tranco
Teus nós e elos
Só por enquanto.
®IatamyraRocha


Texto escrito e publicado por mim Iatamyra Rocha no ebook Nuances Poéticos, visualização e download aqui mesmo no blog Prisma.